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Escravidão Doméstica

Enviado: Seg 18 Jan, 2021 20:14
por Estudioso
Leia, atentamente, o trecho a seguir:

"Se hoje é possível constatar a existência de várias formas de escravidão naquele continente [africano], a novidade seria agora a introdução de um sistema mercantil em que seres humanos viravam mercadorias e seu comércio resultava em vultuosos lucros: primeiro para os negociantes africanos, depois para Portugal, e depois ainda para os próprios comerciantes brasileiros."

A escravidão dita "doméstica", que, segundo alguns autores, caracterizava uma porção da dinâmica do trabalho forçado nas sociedades africanas antes mesmo das relações com os europeus, definia-se pela:

a) sua relativa brandura em face do escravismo colonial.
b) utilização de prisioneiros de guerra em tarefas exclusivamente domésticas.
c) centralidade que ocupava na manutenção econômica daquelas sociedades.
d) relativa baixa representatividade que tinha na organização econômica daquelas sociedades.

Re: Escravidão Doméstica

Enviado: Dom 04 Abr, 2021 15:26
por Zhadnyy
Veja esse trecho
A escravidão existiu na Ásia, na Europa, nas Américas e na África. Muitos dos povos africanos utilizavam escravos para os mais diversos fins, e como cada povo africano tem sua própria organização política, econômica e social, a escravidão na África se desenvolveu de muitas formas. De uma maneira geral, partindo da história de grande parte desses povos, podemos dizer que existia na África uma escravidão doméstica, e não uma escravidão mercantil, ou seja, entre vários povos africanos, o escravo não era uma mercadoria, mas sim um braço a mais na colheita, na pecuária, na mineração e na caça; um guerreiro a mais nas campanhas militares. Esses povos africanos preferiam as mulheres como escravas, já que eram elas as responsáveis pela agricultura e poderiam gerar novos membros para a comunidade. E muitas das crianças nascidas de mães escravas eram consideradas livres pela comunidade. A grande maioria dos povos africanos eram matrilineares, ou seja, se organizavam a partir da ascendência materna, partindo da mãe a transmissão de nome e privilégios. Dessa forma, uma mãe escrava poderia se tornar líder política em sua sociedade, por ter gerado o herdeiro à chefia local. Além disso, um escravo que fosse fiel ao seu senhor poderia ocupar um cargo de prestigio local, inclusive possuindo escravos seus. Assim, nem sempre ser escravo era uma condição de humilhação e desrespeito. Mesmo representando uma submissão, tratava-se de uma situação que muitas vezes era a mesma que a de outras pessoas livres.
Basicamente, escravidão doméstica é o oposto de escravidão mercantil.

Apenas com base nesse texto, já percebemos que a alternativa b é incorreta. Não são as tarefas que são domésticas e sim a forma de escravidão, que não era "exportadora".

As outras três alternativas são mais complicadas, pois, aparentemente, C e D são opostos excludentes, enquanto A fica complicada pela palavra "relativa".

Outro trecho é:
Durante muito tempo, acreditou-se na ideia de que a escravidão ocorrida na África fora mais branda e humanista se comparada à escravidão praticada na América até o século XIX. Muitos defendiam a tese de que o cativo era absorvido pelo povo que o capturava, caracterizando uma escravidão exclusivamente de cunho doméstico, mas, conforme veremos, a escravidão na África não ocorria somente neste formato.
Acredito que a alternativa C possa ser excluída, pois centralidade seria algo absolutamente necessário. Um exemplo disso é a agropecuária no Brasil atual: se em um piscar de olhos tudo sumisse, o Brasil iria ser extremamente impactado. Pelo o que o primeiro trecho afirma, não era algo tão necessário assim.

Também acho que a alternativa A possa ser excluída, pois o segundo trecho aponta que não era tão branda.

Eu marcaria a alternativa D pois, comparando com o Brasil colonial, onde a economia era fortemente dependente do escravismo, a economia na África não parecia depender tanto dos escravos, pelo menos no princípio da escravidão.